Jonnata Doll & os Garotos Solventes

Jonnata Doll & os Garotos Solventes

São Paulo/SP

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Release

Surgida em 2009 em Fortaleza(CE), residente em SP, o quinteto Jonnata Doll & Os Garotos Solventes traz uma música baseada na subcultura punk, na biografia dos excluídos e a experiência de pele na cidade. Nas letras das composições de Doll, desfilam figuras reais que poderiam estar em crônicas do Dalton Trevisan tanto quanto em notícias policiais. Nos palcos afora pelo Brasil, por todos os inferninhos, no teatro, nas telas de cinema, a performance da banda é intensa e visceral, de quem desnuda a alma. Jonnata andrógino, canta, dança, cai, arrasta-se no palco. Suas letras são ecos de literatura beat e de filmes de terror, amores perdidos, misturados a uma biografia de excessos. Mostram um rock desconstruído de valores machistas, racistas e heteronormativos. Produzido por Yuri Kalil (Cidadão Instigado), o primeiro disco homônimo teve lançamento em 2014 e teve boas críticas em várias publicações especializadas, assim como o segundo trabalho lançado no final de 2016 pelo selo EAEO: “Crocodilo”, produzido por Kassin e Kalil. Neste disco a banda buscou expandir o conceito do seu som a partir de referências ibéricas e pós-punks. Atualmente, os Solventes seguem se preparando para lançar o terceiro álbum de estúdio pelo selo “RISCO”: ALIENÍGENA, financiado a partir do prêmio governador do estado de são paulo que a banda conquistou na categoria juri; música em 2018. O terceiro álbum de estúdio da banda Jonnata Doll e os Garotos Solventes, ALIENÍGENA, foi produzido por Fernando Catatau e gravado no estúdio Minduca em São Paulo. As composições deste álbum desvelam São Paulo aos sentidos de quem se chega, nas diversas narrativas que figuram no imaginário de Doll enquanto caminha pelas ruas do centro, perambulando com cães e porcos, um dog walker beat, em um ofício de espião narcotizado sob as ordens de um agente abstrato da interzona punk. “Alienígena” traz uma visão singular de São Paulo, a partir de canções sobre o que Doll viu e sentiu, sobre uma noite de inverno no Vale do Anhangabaú enquanto esperava a menina trazer o chá, o “fantasmagórico” Edifício Joelma, sobre as pessoas que ele conheceu na sala de espera do centro de apoio psico social (CAPS) da Sé. A aura solvente foi atingida pela ascensão do conservadorismo e seu bater de panelas, pelo volume morto dos reservatórios de água, pela pressa nas ruas do centro, pelos atendentes de telemarketing em suas minúsculas cabines dispostas as dezenas, enfileiradas com nenhum espaço entre elas, atingida pelos hippies – punks que ocuparam o prédio abandonado do Ouvidor e que ura pop marginal que a banda serviu de palco para inúmeras oficinas e shows undergrounds, atingida por silhuetas atrás de portas no interior de prédios decrépitos que compram tickets de alimentação dos trabalhadores a uma taxa de 20%, pelos corretores imobiliários engravatados em um sufocante verão de 40 graus. A percepção destes acontecimentos que atinge o artista é uma forma de criar com a cidade, co-autora desse terceiro álbum dos garotos solventes. Na produção musical Fernando Catatau usou com os Solventes uma abordagem que buscou colocar em primeiro plano as histórias que as dez músicas contam e ao mesmo tempo instigou a banda a sair da zona de conforto, buscando uma outra forma de pensar arranjos, em uma direção psicodélica e a um canto mais livre.